
Enrique Shaw demonstrava, desde jovem, uma inteligência acima da média. Quando ingressou na Marinha Argentina aos 14 anos, passava suas horas de folga ou intervalo de atividades entre livros e revistas sobre vários assuntos.
Após seu pedido de baixa da Marinha, em 1945, Enrique começa a trabalhar na empresa de vidro Rigolleau. Fábrica do senhor León Rigolleau, tio de sua esposa.
Em 1957, aos 36 anos, foi oferecido pela direção da empresa a Enrique realizar o curso de Advanced Management, em Harvard. Enrique aceitou e foi um dos primeiros argentinos a realizar esse curso intensivo de 3 meses.
Por não poder levar sua família, Enrique foi sozinho. Nesta época ele já tinha 8 filhos. Todos, junto com sua esposa, foram ao aeroporto para se despedir dele.

Aproveitou sua estadia nos Estados Unidos para visitar os escritórios e fábricas da Corning Glass Works, uma parceira comercial da Rigolleau. Durante esses dias que esteve em Corning, escreveu a Cecilia: “A foto que tiramos no aeroporto causou uma grande sensação. Estou cheio de propósitos maravilhosos para meu retorno.”
Em outra carta a Cecilia, disse: “Queira Deus que eu possa aprender muito e também fazer algo para maior Glória d’Ele.”
Em Harvard, Enrique participava ativamente das classes. Rapidamente estabeleceu amizades com seus colegas e professores.
Ele mesmo diz a Cecilia como era sua rotina: “Todas as manhãs temos aulas das 8h45 até 11hrs, com um intervalo para o coffee break das 11hrs até 11h45. Pela tarde, estudamos e, sobretudo, temos que discutir detalhadamente, em grupos de oito, ponto por ponto. Como organização, é um excelente modelo.”
Em outra carta, diz: “Profissionalmente tenho aprendido muitas coisas. Em geral, creio que a viagem era algo muito conveniente e que, sem dúvida, é necessário fazê-la com certa regularidade.” (5-9-1957). “Estou encantado de estar aqui e por tudo que tecnicamente estou aprendendo”.
Nas aulas, Enrique, que já era um grande conhecedor da Doutrina Social da Igreja, não deixava de se manifestar, sempre com prudência, sobre a importância da moral e ética no agir e na tomadas de decisões.
“Nas aulas, tento falar um pouco, mas às vezes aparecem problemas que são tão evidentemente morais, que, tentando não parecer moralista, procuro apresentar o tema de forma que vejam que a moral tem sua importância.”
Enrique trocou, nestes meses que passou em Harvard, dezenas de cartas com sua amada Cecilia. Perguntava frequentemente sobre as crianças, família e amigos.
Enrique estava no coração do capitalismo moderno. Estava apreendendo todas as técnicas modernas de gestão, liderança, marketing, finanças, etc. Mas como católico coerente, sabia que o tripé: Dignidade da Pessoa Humana, Bem comum e trabalho nunca poderiam ser desconsiderados em qualquer decisão.
Sim! Harvard teve em suas cadeiras um futuro santo!
