
“Os cristãos que ocupam lugares de responsabilidade no mundo empresarial são exortados a unir a busca legítima do lucro a uma solicitude mais profunda pela difusão da solidariedade e à eliminação do flagelo da pobreza, que continua a afligir um elevado número de membros da família humana.”
“Visto que a busca do lucro não constitui o único objetivo de tais atividades, o Evangelho exorta os empresários e as empresárias a manifestar respeito tanto pela dignidade e criatividade dos seus empregados e clientes, como pelas exigências do bem comum.
A nível pessoal, eles são interpelados a desenvolver virtudes importantes, tais como «a diligência, a laboriosidade, a prudência ao assumir riscos razoáveis, a confiança e a fidelidade nas relações interpessoais, a coragem na tomada de decisões difíceis e dolorosas» (Centesimus annus, 32). Num mundo tentado por concepções consumistas e materialistas, os empresários cristãos são chamados a confirmar a prioridade do «ser« sobre o «ter».”
Mensagem do papa João Paulo II ao presidente do Pontifício Conselho «Justiça e Paz» por ocasião de uma conferência sobre o tema «o empresário: responsabilidade social e globalização»
“A doutrina social da Igreja considera a capacidade de iniciativa e o caráter empresarial como parte essencial do ‘trabalho humano disciplinado e criativo’ (Centesimus annus, 32), reconhecendo ao empresário o papel de protagonista do desenvolvimento. O dinamismo, o espírito de iniciativa e a criatividade, indispensáveis para um empresário, tornam-no uma figura-chave do bem-estar social.
O direito ao caráter empresarial e à livre iniciativa econômica deve, portanto, ser tutelado e valorizado, pois ‘é importante não só para os indivíduos singularmente, mas de igual modo para o bem comum’ (Sollicitudo rei socialis, 15). A esse direito corresponde a responsabilidade do empresário, chamado a tornar a empresa uma comunidade de homens que trabalham com os outros e para os outros (cf. Centesimus annus, 30) e, juntos, se ajudam a amadurecer como seres humanos, sem marginalizar ninguém.”
Discurso do papa João Paulo II aos membros da união cristã de dirigentes de empresa
É necessário que o empresário e os dirigentes de empresas façam tudo o que está em seu poder para escutar, escutar devidamente!, a voz do operário subalterno e para compreender as suas legítimas exigências de justiça e equidade, superando toda a tentação egoísta tendente a tornar a economia norma em si mesma. Vós sabereis e querereis recordar a todos: qualquer falta de atenção neste sector é culpável; toda a demora, fatal. Tantos conflitos e antagonismos entre trabalhadores e dirigentes mergulham não raro as raízes no terreno infecundo da falta de audição, de diálogo recusado ou indevidamente adiado. Não é tempo perdido o que dedicais a encontrar-vos pessoalmente com os vossos empregados, coisa que vos permite tornar as vossas relações com eles mais humanas, e as vossas empresas mais à “medida do homem”. A vós não passa despercebida a situação de tantos operários das fábricas que, se forem constrangidos a viver como numa rede artificial, correm o perigo de sentir-se atrofiados na sua espontaneidade interior. A máquina, com os seus automatismos rígidos, é ingrata e avara em distribuir satisfações. As próprias relações entre colegas de trabalho, quando se tornam despersonalizadas, não podem dar o necessário conforto ou amparo; e as organizações de produção, distribuição e consumo não raro constringem os operários a viverem de modo “massificado”, sem iniciativas próprias, sem opções. A este nível de desumanização pode chegar-se quando o quadro dos valores é invertido e e eleva o “produtivismo” a único parâmetro do fenômeno industrial, quando é negligenciada a dimensão interior dos valores, quando se olha mais à perfeição da obra do que à perfeição de quem a realiza, privilegiando assim a obra em lugar do realizador, o objeto em vez do sujeito. Aqui o assunto, que por outro lado, vos é familiar, tenderia a ampliar-se, e levaria a falar da questão mais geral e universal dos direitos da homem. Mas chegaríamos longe demais; limito-me, por conseguinte, a recordar uma breve passagem da minha primeira Encíclica, em que afirmava que a violação dos direitos fundamentais do homem, “não pode de maneira alguma pôr-se de acordo com qualquer programa que se autodefina ‘humanístico’. E qual seria o programa social, económico, político e cultural que poderia renunciar a esta definição?” (Redemptor hominis, 17).
Vós estais bem certos que só nesta perspectiva o homem — cada homem, quer empresário ou dirigente, quer colaborador nos diversos sectores, empregado ou operário — pode encontrar o seu sentido profundo, sendo assim posto em condições de exprimir os seus talentos, de colaborar, de participar e de cooperar para o recta funcionamento da empresa, de que todos são, conjuntamente, colaboradores e agentes.
Deste modo readquire também importante significado o tempo destinado ao trabalho, não menos que o tempo destinado ao repouso. Trabalho e repouso fazem que o homem se descubra a si mesmo e também aqueles valores superiores do amor e da solidariedade que lhe permitem realizar um desenvolvimento integral, que o liberte de possíveis e sempre iminentes frustrações.
Eis, caros Irmãos, algumas indicações, que vos poderão ser úteis no cumprimento da vossa não fácil e responsável atividade de empresários e dirigentes.
Discurso do papa João Paulo II aos sócios da União Cristã
dos Empresários Dirigentes
