“O verdadeiro empresário — procurarei traçar o perfil de um bom empresário — conhece os seus trabalhadores, porque trabalha ao lado deles e com eles.
Não nos esqueçamos que o empresário deve ver antes de tudo um trabalhador. Se não tiver esta experiência da dignidade do trabalho, não será um bom empresário. Partilha as dificuldades e as alegrias do trabalho com os trabalhadores, resolvem os problemas e criam algo juntos. Se e quando deve demitir alguém é sempre uma opção dolorosa e se pudesse não o faria.
Nenhum empresário bom gosta de demitir o seu pessoal — não, quem pensa que resolve o problema da sua empresa demitindo funcionários, não é um bom empresário, é um comerciante, hoje vende o seu pessoal, amanhã vende a própria dignidade — é preferível sofrer e às vezes deste sofrimento nascem ideias novas para evitar as demissões. Este é um bom empresário.”
“O empresário é uma figura fundamental de todas as boas economias: não existe economia boa sem empresários bons. Não há boa economia sem bons empresários, sem a vossa capacidade de criar, criar trabalho, criar produtos.”
Em 1962, Enrique Shaw visitou novamente o Brasil. No entanto, essa visita não foi igual às anteriores:
“Os médicos aconselham a Enrique que passe um mês do inverno do ano de 1962 no Brasil, a fim de tomar uns banhos nas termas de Poços de Caldas.
Ali vai em junho desse mesmo ano com Cecília e acompanhado de dois de seus filhos varões de dez e doze anos de idade: José Maria e Juan Miguel. Sua companhia o alegra, e com eles joga e faz trilhas da montanha brasileira. Antes, porém, de terminar sua estada em Poços de Caldas, passa a ter fortes dores de cabeça e a respirar com dificuldade.
Apesar disso, na viagem de volta no barco de Santos, seu filho Juan Miguel recorda – como já havíamos dito anteriormente – que o viu dançar com sua mãe no salão do barco quando faltava apenas um mês e meio para sua morte.”
👉Do livro “Venerável Enrique Shaw e suas circunstâncias”.
1. Ser o promotor da empresa e traçar o seu rumo, cumprindo os seus objetivos, entre os quais se destaca a rentabilidade. Para isso, é preciso sermos promotores da inovação e estarmos atentos às necessidades dos consumidores
2. Ser alegre, empreendedor, diligente, determinado, acessível, ter autocontrole e bom senso. Tomar decisões que não sejam baseadas exclusivamente em sua autoridade e poder: sempre agindo com humildade e com apertura às opiniões dos outros.
3. Selecionar gerentes eficientes, evitando a contratação de parentes não qualificados. Da mesma forma, não negligenciar os gerentes intermediários e seu treinamento.
4. Aumentar a produtividade, promovendo a utilização eficiente de todos os recursos à disposição da empresa. Para conseguir isso, é importante que você esteja atento à redução dos custos.
5. Gerar nos seus colaboradores um sentimento de pertença à organização. Da mesma forma, tomar conhecimento de suas realidades e proporcionar-lhes condições adequadas de trabalho estimulando o desenvolvimento de suas potencialidades.
6. Estimular a iniciativa e a criatividade dos funcionários, facilitando o desenvolvimento de suas potencialidades.
7. Assimilar que a responsabilidade ética e social está acima da mera busca por alta lucratividade. Essa consideração se aplica a questões como bem-estar e emprego dos trabalhadores, comportamento desleal com concorrentes, propaganda enganosa ou busca de privilégios públicos.
8. Entender que a incorporação da espiritualidade e dos valores cristãos melhorará seu desempenho. A confiança em Deus o deixará mais otimista e com menos medo de correr riscos em novos empreendimentos. A mansidão e a humildade cristã o deixarão mais calmo, menos irritado e com maior autocontrole.
9. Compreender que sermos abertos e amarmos os outros permitirá que você entenda melhor o mau desempenho de sua equipe e, portanto, sermos mais tolerantes.
10. Entender que devemos colaborar com Deus em sua Criação, gerando bens e bem-estar para a humanidade. Sua ação enobrece a natureza, transformando-a e tornando-a mais útil a todos os homens e mulheres.
*Elaborado pelos professores da Faculdade de Ciências Econômicas da UCA, com base nos escritos de Enrique Shaw.
Sobre o Empresário, Enrique Shaw escreveu em seu diário:
“Sobre a função econômica do empresário:
Um homem sozinho, ou com o apoio de outros, toma a iniciativa de um negócio e assume, no todo ou em parte, o risco e a direção. Ele é o empresário no sentido econômico da palavra. Obtém a confiança dos capitalistas. Escolhe a equipe, estabelece o objetivo, determina os meios, garante a unidade, a rapidez das decisões, a discrição, o crédito e a autoridade necessária para o sucesso. Seu papel é difícil: conhecer, inspirar confiança, escolher e dirigir homens.
O empresário coloca em sua empresa: seu tempo, seu dinheiro, sua capacidade, sua honra. Ele é o agente de produção mais ativo, é o primeiro dos trabalhadores, pois sua missão é tornar a empresa capaz de cumprir seu amplo propósito econômico. Podemos concluir que, do ponto de vista econômico, nada é mais necessário para a prosperidade de um país do que deixar um grande campo livre à liberdade e às iniciativas de homens que tenham a coragem de assumir grandes responsabilidades pessoais e de ter empresários capazes, ativos e honestos.“
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Enrique Shaw demonstrava, desde jovem, uma inteligência acima da média. Quando ingressou na Marinha Argentina aos 14 anos, passava suas horas de folga ou intervalo de atividades entre livros e revistas sobre vários assuntos.
Após seu pedido de baixa da Marinha, em 1945, Enrique começa a trabalhar na empresa de vidro Rigolleau. Fábrica do senhor León Rigolleau, tio de sua esposa.
Em 1957, aos 36 anos, foi oferecido pela direção da empresa a Enrique realizar o curso de Advanced Management, em Harvard. Enrique aceitou e foi um dos primeiros argentinos a realizar esse curso intensivo de 3 meses.
Por não poder levar sua família, Enrique foi sozinho. Nesta época ele já tinha 8 filhos. Todos, junto com sua esposa, foram ao aeroporto para se despedir dele.
Foto que tirou e que menciona em sua carta de 04/09/1957
Aproveitou sua estadia nos Estados Unidos para visitar os escritórios e fábricas da Corning Glass Works, uma parceira comercial da Rigolleau. Durante esses dias que esteve em Corning, escreveu a Cecilia: “A foto que tiramos no aeroporto causou uma grande sensação. Estou cheio de propósitos maravilhosos para meu retorno.”
Em outra carta a Cecilia, disse: “Queira Deus que eu possa aprender muito e também fazer algo para maior Glória d’Ele.”
Em Harvard, Enrique participava ativamente das classes. Rapidamente estabeleceu amizades com seus colegas e professores.
Ele mesmo diz a Cecilia como era sua rotina: “Todas as manhãs temos aulas das 8h45 até 11hrs, com um intervalo para o coffee break das 11hrs até 11h45. Pela tarde, estudamos e, sobretudo, temos que discutir detalhadamente, em grupos de oito, ponto por ponto. Como organização, é um excelente modelo.”
Em outra carta, diz: “Profissionalmente tenho aprendido muitas coisas. Em geral, creio que a viagem era algo muito conveniente e que, sem dúvida, é necessário fazê-la com certa regularidade.” (5-9-1957). “Estou encantado de estar aqui e por tudo que tecnicamente estou aprendendo”.
Nas aulas, Enrique, que já era um grande conhecedor da Doutrina Social da Igreja, não deixava de se manifestar, sempre com prudência, sobre a importância da moral e ética no agir e na tomadas de decisões.
“Nas aulas, tento falar um pouco, mas às vezes aparecem problemas que são tão evidentemente morais, que, tentando não parecer moralista, procuro apresentar o tema de forma que vejam que a moral tem sua importância.”
Enrique trocou, nestes meses que passou em Harvard, dezenas de cartas com sua amada Cecilia. Perguntava frequentemente sobre as crianças, família e amigos.
Enrique estava no coração do capitalismo moderno. Estava apreendendo todas as técnicas modernas de gestão, liderança, marketing, finanças, etc. Mas como católico coerente, sabia que o tripé: Dignidade da Pessoa Humana, Bem comum e trabalho nunca poderiam ser desconsiderados em qualquer decisão.
Sim! Harvard teve em suas cadeiras um futuro santo!
O bispo castrense da Argentina e delegado episcopal para a Causa dos Santos, monsenhor Santiago Olivera, celebrou na quinta-feira 27 de agosto, uma missa na Igreja de Nossa Senhora do Pilar, no bairro da Recoleta, Buenos Aires, para relembrar e homenagear ao servo de Deus Enrique Shaw, em um novo aniversário do seu falecimento. —
Nestes tempos de provas, que possamos viver no mundo e em nosso país, o melhor possível
“Fazer apostolado significa trabalhar com a mente e com todas nossas forças pelo próximo; sacrificar-se renunciando a tudo, humilhar-se; em sumo, orar, “romper-se”, preocupar-se e chorar pelas almas para conduzi-las a Cristo. Fazer apostolado significa sobretudo, viver com Cristo, padecer, agonizar e morrer no mundo com Ele e por Ele.”
Escrito pelo Venerável Enrique Shaw
No começo da celebração, monsenhor Olivera compartilhou uma intenção especial: “Pedimos a graça do fim da pandemia ao servo de Deus Enrique, também para que possamos viver no mundo e em nosso país o melhor possível neste tempo de provas, tirando o melhor de cada um de nós e renovando a certeza da proximidade de Deus, de um Deus que é pai e que não se distrai”.
“Também pedimos para que termine os incêndios em nosso país, como em nossa província de Córdoba e as demais regiões que estão sofrendo a inclemência destes incêndios. Encomendamos também todas as Mônicas e todas as mães”, agregou.
Em sua homilia expressou: “Nos reunimos em nome do Senhor para pedir pela beatificação e canonização do servo de Deus, com a certeza de pedir algo muito importante para nossa Igreja e nosso país, para ter um modelo, um farol, uma referência no hoje permanente da nossa história. O servo de Deus Enrique Shaw foi membro da Marinha Argentina, laico, empresário, pai de família, sério cristão, católico comprometido”, enumerou.
Ao relembrar de seu ministério como bispo de Cruz del Eje e seu trabalho para a causa de canonização do Santo Padre Brochero, expressou: “Quando fui me envolvendo na causa de Brochero, descobri que além de ser um grande pastor, totalmente entregue e, por isso, um modelo de sacerdote, era também um modelo de cidadão, uma grande pessoa, um pioneiro. A mesma coisa experimento quando me aprofundo mais na vida de nosso servo de Deus Enrique Shaw. Descubro que é um modelo de laico, esposo, pai de família, de cristão comprometido na vida da Igreja e na sociedade, de cidadão, um empreendedor com valores claros, empresário, um evangelizador gigante, um gênio, uma grande pessoa. E a verdade é que não estou exagerando”, reconheceu.
“Conhecer mais sua pessoa nos fará muito bem e será para nosso país uma excelente referência, necessária neste tempo de pandemia que nos coloca ante a necessidade de olhar de forma solidária ao outro, com justiça e com verdade. São tempos nos quais a imaginação da caridade nos exige a todos os cristãos ter um olhar mais profundo e mobilizar mais nossos corações”, afirmou.
“Enrique entendeu isso e se preocupou por personificar a Doutrina Social da Igreja no mundo do trabalho, viveu realmente a comunhão na empresa e pôde tornar realidade o que expressou o Santo Padre, São Paulo VI, que ‘a Eucaristia nos move ao amor social’”.
“Enrique tinha muita clareza de que a Eucaristia ajudava as outras pessoas. A Eucaristia permeou toda a sua vida e se concretizou em algumas linhas formativas para os dirigem empresas. Vivia e ensinava que o empresário tinha um dever próprio de aperfeiçoamento que se realiza ao dar-se aos demais. Um dever de serviço aberto às necessidades dos outros à semelhança de Jesus Eucarístico”.
Empresas solidárias
“Muitos de nós compartilhamos, sem dúvida, o providencial que é esta causa em nosso tempo. Enrique tem o vigor dos santos para iluminar com a sua palavra e, sem dúvida, com seu exemplo no sentido social da empresa. Ela é uma equipe que deve servir ao progresso do homem como um todo e de todos os homens. Todos são irmãos e na responsabilidade de cada um não se pode esquecer a vida do outro porque todos somos um dom para dar aos demais”, disse monsenhor Olivera.
“Muitos conhecemos, graças a Deus, que o servo de Deus Enrique como empresário se ocupava e se preocupava pelos trabalhadores; na realidade ele vivia isso com proximidade, expressando carinho e simpatia, ‘aos seus trabalhadores e às suas famílias’. Enrique se solidarizava com seus irmãos trabalhadores. Esta solidariedade partia da certeza de um destino comum e o trabalho em conjunto para que a vida seja ‘mais humana’ para todos. Sua vida é palavra para os empresários de hoje. Deus quer que o escutemos e o conheçamos cada vez mais”.
Enrique Shaw foi um pai e empresário que queria levar o mundo dos negócios a Jesus Cristo
Enrique Shaw
Enrique Ernesto Shaw nasceu em 26 de fevereiro de 1921, em Paris, França. Ele era um dos dois filhos de pais argentinos, Alejandro Shaw e Sara Tornquist Altgelt. A família voltou para a Argentina em 1923. Infelizmente, Sara faleceu em 1925. Antes de morrer, ela fez o marido prometer que confiaria a educação religiosa do menino a um padre Sacramentino. O pai de Enrique manteve sua promessa.
Enrique foi matriculado no Colegio de La Salle em Buenos Aires. Ele não foi apenas um aluno notável, mas sua profunda fé religiosa se destacou. Ele participava da missa todos os dias e recebia a sagrada comunhão.
Enrique desejava ingressar na Escola Militar Naval. Seu pai objetou, mas Enrique persistiu e, aos 14 anos, começou seu treinamento como cadete naval. Seu campo de treinamento era o mar bravio do Atlântico Sul. Foi ali que ele treinou como oficial da Marinha e realizou trabalho apostólico, dando continuamente um poderoso testemunho de fé. Ele estava entre os três primeiros de sua classe e se tornou o mais jovem da escola a se formar.
Sua “conversão”
Leitor ávido que absorvia livro após livro desde muito jovem, Enrique nunca encontrava seu tema favorito. Ele havia lido livros sobre política, filosofia, história e ciência. Finalmente, aos 16 anos, ele pegou um livro sobre a Doutrina Social da Igreja. Foi quando ele soube que havia encontrado o tema que buscava. Ele chamou esse momento de sua “conversão”.
Enrique e alguns amigos tinham ido a Buenos Aires algumas vezes quando receberam licença. Foi numa dessas visitas que conheceu Sara. Eles se apaixonaram e se casaram em 23 de outubro de 1943. Eles teriam nove filhos juntos, sendo um deles sacerdote. Enrique ensinou-lhes toda a importância do Rosário e fez questão de levá-los à igreja todas as semanas. Ele deu um excelente exemplo como pai católico.
No final da Segunda Guerra Mundial, Enrique iniciou seu negócio. Em 1952, ele estabeleceu a Associação Cristã de Executivos de Negócios. Ele fez isso com a ajuda do arcebispo Joseph Cardijn, da Bélgica, que mais tarde se tornaria cardeal. Enrique também se tornou um escritor prolífico, publicando muitos livros que tratam da justiça e da honra no local de trabalho. Promoveu intensa evangelização voltada para a classe empresarial na Argentina e na América Latina.
Amado pela classe trabalhadora
Enrique Shaw foi um dos fundadores do Movimento da Família Cristã na Argentina e foi presidente da Ação Católica Argentina. Ele também estabeleceu entre suas iniciativas empresariais um fundo de pensão, um plano de saúde e ajuda financeira em caso de doença e parto.
Em 1957, Enrique foi diagnosticado com câncer. Sua atividade de trabalho limitava-se a falar em conferências e escrever. Ele era tão admirado pelos trabalhadores que em 1962, quando estava chegando ao fim de sua vida, 260 trabalhadores apareceram no hospital para doar sangue para uma transfusão que salvou sua vida. Enrique diria o quão feliz ele estava pelo fato do sangue de seus trabalhadores correr em suas veias. Ele morreu em 27 de agosto de 1962, com apenas 41 anos.
Em 24 de abril de 2021, o Papa Francisco declarou Enrique Ernesto Shaw um homem de “virtudes heróicas”, elevando-o ao título de Venerável. O Papa já conhece a trajetória deste santo homem, tendo sido o arcebispo encarregado de supervisionar a etapa diocesana de seu processo de beatificação, em Buenos Aires.
Em uma entrevista em 2015, o Papa disse sobre ele: “Enrique Shaw era rico, mas santo. Uma pessoa pode ter dinheiro. Deus concede para que o administre bem, e este homem administrou bem.”
A filha de Enrique, falando com Aleteia sobre o reconhecimento das virtudes heróicas, disse que isso a encheu de paz. “Porque desde que ele morreu, eu já pensava que ele era um santo. Não é uma surpresa. É maravilhoso saber que sua vida ficará registrada, tudo o que ele fez, e isso será compartilhado. Ele não pertencerá apenas à nossa família.”
“Meu pai não fez muitas coisas extraordinárias”, refletiu ela. Ele simplesmente “valorizava e amava muito seus filhos.”
Enrique Shaw foi um empresário argentino que viveu a sua experiência empresarial sempre trazendo os ensinamentos de Jesus Cristo no seu dia-a-dia.
Enrique Shaw com sua esposa Cecilia Bunge
Foi militar, foi empresário, foi preso, mas, em todas as fases da sua vida, nunca deixou de ter presente a preocupação de olhar o outro como pessoa, como destino essencial de todas as suas decisões.
A sua frase, “para juzgar a un obrero primero hay que amarlo”, é bem representativa da sua visão do mundo e, no seu caso, do mundo empresarial.
No final da semana passada, o Papa Francisco declarou a Venerabilidade de Enrique Shaw.
E o que é que torna tão importante esta declaração, num momento em que a Igreja Católica tem tido uma postura de tornar santos todos aqueles que, cumprindo os critérios essenciais a essa santificação, sejam exemplos de vida que possam ser seguidos por todos os crentes?
A perspetiva de reconhecer um empresário como exemplo de um caminho de santidade é inédita e aproxima muito duas realidades que costumamos considerar como quase antagónicas, apesar de nada na sua essência o justificar.
Toda a religião tem como projeto a salvação da humanidade. E, porque isso está sempre ligado à criação divina, a primeira obrigação de cada pessoa é adorar a Deus.
A forma de adorar a Deus no nosso dia-a-dia é apenas possível através das nossas ações e dos seus efeitos nos outros.
Por outro lado, a vida de empresário está normalmente associada a uma perspetiva de competitividade que leva a pensar que tudo se pode esquecer e que tudo se torna permitido para conseguir atingir o melhor resultado possível.
É por isso que esta declaração se torna tão relevante, porque aproxima a razão de ser empresário da razão de viver.
Porque uma vida como a de Enrique Shaw mostra que também o empresário pode ser exemplo de vida e amar aqueles que o rodeiam. Ou ainda mais, que é através da relação com aqueles que consigo trabalham que o empresário consegue atingir o seu melhor resultado.
O empresário é, na sua génese, um criador. Tem uma ideia, desenha um projeto e cria uma nova oportunidade de desenvolvimento. E cria emprego e novas oportunidades de vida para todos quantos com ele caminham.
Não há maior amor do que criar oportunidades aos outros. É fundamental que quem seja capaz de ter esta vocação tão nobre de empreender compreenda que o seu êxito está em conseguir que todos aqueles que com ele colaboram no empreendimento sejam parte da sua vida.
Mas este processo de santificação tem ainda o mérito de fazer ver aos que são responsáveis pela Igreja que sejam também capazes de melhor compreender a enorme função que tem e deve ter o empresário na construção de um mundo melhor, em que todos tenham lugar e em que todos se sintam incluídos.
Um mundo que podemos construir em conjunto, sem ter objetivos contrários, já que a criação de felicidade é promotora da motivação de fazer melhor e a vontade de incluir todos torna-nos mais próximos e mais resilientes perante as dificuldades.
É, por isso, muito importante que encontremos nesta declaração de Venerabilidade de Enrique Shaw a oportunidade de mudar a nossa forma de nos confrontarmos, dirigentes e empregados, responsáveis religiosos e responsáveis das empresas.
É o momento para mudar e deixar de combater para passarmos a colaborar entre todos.
Enrique Shaw quando estava a morrer precisou de transfusões de sangue e todos se admiraram de ver que todos os seus empregados estavam à porta do hospital para lhe dar o que ele precisava e ele dizia que tinha o orgulho de ter o sangue dos seus colaboradores nas suas veias.
Mais do que dizia Enrique Shaw, para julgar um operário e para julgar um empresário, é preciso primeiro amá-lo.
Não é todo dia que se ouve falar de um empresário que se preocupava com o reino dos Céus. Enrique Shaw foi um desses raros homens e serve como exemplo a essa sociedade virtual de empreendedores digitais.
Um Santo empresário?
Sim!
Enrique Shaw
Não é todo dia que se ouve falar de um empresário que se preocupava com o reino dos Céus. Enrique Shaw foi um desses raros homens e serve como exemplo a essa sociedade virtual de empreendedores digitais.
Nasceu na França, em 1921, mas viveu na Argentina. O Papa Francisco tem convicção de que Shaw será santo, pois foi um homem caridoso. Na juventude, depois de ler muito sobre Economia e Política, se encantou com a Doutrina Social da Igreja. O mundo depois da II Guerra Mundial prejudicou muitas pessoas, e ele queria ajudar.
Fundou iniciativas sociais, como a Associação Cristã de Dirigentes de Empresas, o Movimento da Família Cristã e a Ação Católica Argentina. Aos seus funcionários, criou um fundo de pensão e um plano de saúde, mas se preocupava ainda mais com a espiritualidade deles, dando-lhes terço e bíblia para que criassem uma vida piedosa.
Se o mundo polarizado questionar a ideologia de Shaw ficará surpreso pela falta de registros sobre isso. Ele era um católico. E era feliz praticando o catolicismo. Foi preso pelo governo do presidente Juan Peron por sua prática religiosa, e ainda na prisão ele dava os colchões e comida, trazidos pelos parentes, aos outros detentos.
Teve nove filhos com Cecilia Bunge, e educou todos na fé. Apesar de ser um empresário extremamente ocupado, era um pai carinhoso e presente. Sua filha Sara Shaw disse que era uma festa quando ele voltava pra casa, sempre assobiando, com seus filhos pulando em cima dele. Ele nunca descarregou os estresses diários nas crianças. E como era difícil ser santo no mundo dos negócios!
Em 1961, enquanto sofria de câncer, sua indústria foi vendida a um fundo americano que decidiu demitir 1.200 pessoas. Ele se opôs fortemente e propôs um plano para manter todos os funcionários. Shaw jamais imaginaria que essa sua luta fosse recíproca. Internado, viu os seus trabalhadores formarem uma fila gigante no hospital para doar sangue, já que ele precisava de uma transfusão.
Morreu Shaw em 1962, sua causa de beatificação foi aberta e agora precisamos orar para que esse homem que serviu tanto a Igreja em vida possa interceder pelos empresários no Céu.