Reflexões espirituais do Venerável Servo de Deus Enrique Shaw

“Que todas as pessoas que tenham me conhecido, que associem meu nome como uma boa recordação. Morrer sem deixar nenhuma recordação além de si, é acabar como um mal cristão.” 

“O entusiasmo tem grande importância para a vida e a religião. Às vezes me desespero ao ver a indiferença das pessoas até em coisas terrenas que muito lhe interessam.”

“Quando, criticando a Igreja Católica se diz que ela deseja dominar as pessoas, mais que refutar os argumentos de quem assim opina, devemos explicar-lhes que o único desejado por nós, os católicos, é que Jesus Cristo seja conhecido para o bem de todos os seres humanos.” 

“Vibrar na onda dos seres que me estão mais próximos, é uma das maneiras de desprender-me de mim.” 

“A vida, mais que uma afirmação de si, é um dom de si.”

“Cuidado com a inveja! Quando uma pessoa fala mal de outra, ainda que não seja mais que para manter o dito anteriormente, seguirá falando do mesmo modo malévolo.”

“Todo ser humano ganha quando o conhece, e sempre tem algo que merece ser amado.”

“Para que serve ao cristão ter lido muito, se por sua vez não escreve algo bom?”

“Muitas vezes tenho a sensação de que devo me sacrificar pelos maus patrões.”

“Por meio do trabalho nos vinculamos com o próximo: princípio de ordem e de união em vez de separação. Ainda mais: se entendemos assim o trabalho, veremos que constitui uma vocação, vale dizer, uma forma de cumprir a missão que Deus nos deu a cada um de nós. Um meio que Deus nos deu a cada um de nós. “Por meio do trabalho nos vinculamos com o próximo: princípio de ordem e de união em vez de separação. Ainda mais: se entendemos assim o trabalho, veremos que constitui uma vocação, vale dizer, uma forma de cumprir a missão que Deus nos deu a cada um de nós. Um meio que Deus nos deu a cada um de nós. 

“Um meio que Deus nos dá para conformarmos à Sua Divina Vontade, não é o mesmo que dizer que é um meio para santificarmos? Façamos que o trabalho seja uma oração ininterrupta, no sentido de entendê-lo como serviço de Deus. De tal modo compreenderemos que a jornada de trabalho de um verdadeiro cristão está, desde agora, submergida na eternidade.”

“A Missa não é um espetáculo a que se assiste: é um drama no qual temos um papel que desempenhar, e podemos estar tanto ou mais misturados nesse drama como estiveram os próprios Apóstolos. Nossas empresas nos superam tanto que não têm proporção com nossa pequenez; mas, se nos mantermos fiéis à doutrina do Evangelho, estou seguro de nosso êxito; e até a desproporção entre o empreendido e nossa pequenez, nos dá maior segurança, porque assim o êxito está inteiramente nas mãos de Deus. Aquele que está aderido a Cristo, nada pode roubar-lhe sua recompensa. O fermento que Jesus Cristo depositou sobre a terra germinará e nada poderá impedir que cresça. Todos aqueles que aderem a Cristo são vencedores por essa mesma razão: o mundo não os pode afetar mesmo quando os mate. Aí está a vitória cristã.”

“José Folliet – secretário geral das Semanas Sociais da França – resumiu lacônicamente nosso dever cristão: Inteligência e Santidade. Quem quer transformar o mundo, deve começar por conhecê-lo. Quão pouco vale a natureza humana! Que fácil tendência temos de mudar de opinião, a deixar-se levar pelo coração ou, o que é pior, pelos sentidos! Os velhos sabem mais que os jovens, mas, infelizmente, lhes falta muitas vezes entusiasmo para fazer algo eficaz.”

“É muito difícil que uma geração compreenda a outra.”

“Que melhor herança que vangloriar-se das virtudes de seus pais?”

“Por seu esforço e seu sacrifício, o trabalho diferencia o homem do animal.”

“É necessário que nossos filhos tenham uma vida de serviço. Tem-se de ir acostumando-os a essa vida o quanto antes.”

“Mesmo quando nos Estados Unidos da América existe muita gente que levanta um monumento ao dinheiro, também existem muitas pessoas, como monsenhor Fulton Sheen, dignas de ser amadas por não haver caído nesse erro. Se o operário norte-americano é mais educado que o argentino, isso se deve a que têm bons chefes que sabem ser amáveis e simpáticos mesmo com os trabalhadores pouco amáveis e tolos. Virgem Maria: tem misericórdia daqueles que querem dizer Sim para sempre, seguindo o exemplo de que por vosso Sim mudaste a face do mundo. Tu que sabes a que preço se adquire e se mantém essa palavra, obtém para nós que nunca rejeitemos o que Deus exige de nós. Ensina-nos a dizer essa palavra do modo como Tu a disseste: com humildade, pureza, simplicidade e abandono à Vontade de Deus. Faz que ao longo de toda nossa vida, o Sim que dizemos, depois aquele Sim a Deus, não seja outra coisa que um meio de aderir ainda mais perfeitamente à Vontade Divina para nossa salvação e a do mundo inteiro.”

O mundo não é um lugar de exílio, nem um objeto de admiração criado por Deus como testemunho de Sua onipotência: o mundo é para o homem o lugar onde se elabora seu destino eterno. Ali teremos que influir para que a História, realizada dia a dia, se aproxime, enquanto seja possível, ao Plano previsto de Deus, por Sua sabedoria e amor para os homens e para o mundo. Tomemos o caso de um valor humano como é a justiça. Não basta esperar que no dia do juízo final se faça justiça (como sem dúvida se fará); além disso, tem-se que procurar que, mesmo quando imperfeita, exista desde já, e essa é responsabilidade nossa, dos homens que, consciente ou inconscientemente, e por limitada que possa parecer nossa contribuição, estamos fazendo História.

“Para o cristianismo o mundo constitui um mistério cuja chave é o amor: é de Alguém, existe pelo amor de Alguém. Há um plano, cumprido em etapas progressivas, que se desenvolve em etapas cada vez mais perfeitas e acabadas. Não é um desenvolvimento cego, dialético, como dizem os marxistas, mas que têm que ser completado pelo homem. O mundo não somente faz que louvemos a Deus, ao mostrar-nos Seu poder e Sua perfeição, mas também nos convida a nós, os batizados, em quem se prolonga a Encarnação, a que o desenvolvamos mediante nosso trabalho e o levemos a seu acabamento mediante nossa união com Deus. “

Convém, porém, fazer uma observação. A mensagem do Evangelho é fecunda em ideias de desenvolvimento, mostrando a possibilidade de transformações maravilhosas; o homem pode elevar-se a níveis inesperados para o não cristão. O mais culto dos gregos ou romanos não se atreveu a pensar que o homem pudesse chegar a participar da vida de Deus, a ser filho de Deus por adoção. Mas a ideia cristã não é a de um avanço indefinido, mas melhor, como evidenciam as parábolas dos talentos, da semente de mostarda, etc., de um desenvolvimento em plenitude, ideia que adentra à maturidade, harmonia, perfeição e gozo.

“A História demonstra, sem dúvidas, que onde a Igreja pode atuar com liberdade tem havido um incremento da civilização. A noção mesma de progresso é fruto do cristianismo. Nem os gregos nem os romanos a conheciam nem a imaginavam; a filosofia e visão do universo eram meramente estáticas. O mundo tem se desenvolvido, inclusive materialmente, muito mais nos últimos mil e novecentos anos que em todos os séculos que precederam a vinda de Cristo; e tem sido os países do Ocidente, de cultura, ainda que secularizada, impregnada de cristianismo, e não os do Oriente, os artífices desse progresso. O cristianismo que, embora como Santo Agostinho, elogie a esmola ao faminto, sabe que é melhor que não haja famintos. Tem-se, além dessa razão que poderíamos chamar horizontal, outro motivo vertical mais profundo, mais centrado em Deus, para procurar com todas as suas forças o máximo desenvolvimento, mesmo o material.”

“Em concreto, não podemos saber qual é a relação exata entre a civilização e a religião, pois Deus, que quis condicionar Sua ação à dos homens, nunca decretou um paralelismo entre a ação divina e a humana. Mas, qualquer que seja o modo com o qual procuramos expressar a relação positiva que existe entre a ação histórica do homem e o levar ao término o mundo celestial, uma coisa é certa: essa relação existe. Deus quis, por caridade e com soberana independência, sem ser obrigado a isso, condicionar Sua ação à nossa, preparando as riquezas de Sua Graça ao longo de uma lenta maturação cujos elementos concretos são o trabalho e as civilizações.”

“A melhor forma de dar graças a Deus pelo dom que nos tem feito dos bens materiais, é usá-los segundo seu desígnio, isto é, como instrumentos para ir – e levar aos demais – até Ele. É este o profundo significado da expressão Consagração do Mundo. E quanto mais perfeito, mais desenvolvido é o que oferecemos a Deus, melhor… A Igreja sempre se esforça para que a Graça, que há de edificar-se sobre a natureza, não lhe falte nem fundamento estável, nem clima apto, nem as condições vitais de sua existência. Não se pode viver o Evangelho sem preocupar-se de que se deem as condições de governo, de estruturas sociais, de moradia, de alimentação, liberdade, etc., sem as quais a vida deixa de ser humana. “

“Os progressos temporais têm sido postos à nossa disposição por Deus, para que possamos ir a Ele de forma plena e mais harmoniosa. Pio XII disse: O progresso técnico não deve ser considerado como um mal ao qual buscamos remédios, mas como um bem em cujo caminho se levantam certas armadilhas que é preciso evitar; mas é inegável que o progresso técnico procede de Deus e por isto pode e deve conduzir a Deus. E João XXIII, depois de afirmar que a Igreja apoia e promove o desenvolvimento técnico, faz notar que, além disso, mostra o caminho por onde se podem alcançar benefícios, não somente de ordem material mas também espiritual, de modo que a cultura da mente e o bem estar geral se vejam acrescentados.”

“A Deus não se serve bem com mediocridade: uma plantação mal feita, uma fruta que se apodrece antes do tempo por não ter usado o inseticida adequado, uma fábrica manejada com descuido, não contribuem à Ordem Divina. O homem não foi feito para a Terra, e deve desapegar-se das riquezas, mas a caridade fraterna faz com que seja um dever o trabalhar para que essas riquezas sejam postas a serviço de todos. Sabemos que não se pode servir a Cristo com as riquezas, entendendo por tais não somente a econômica, mas também a técnica, a cultural, a de saber apreciar a beleza. O paganismo considerava o trabalho como algo vil, próprio dos servos, obra servil; o marxismo considera o homem essencialmente como um trabalhador somente consagrado ao perfeccionismo do cosmos; ao contrário, o cristianismo aponta a eminente dignidade do trabalho em função da vocação divina da Humanidade: o trabalho não é um fim em si mesmo, mas que deve favorecer o desenvolvimento do homem, do mundo e do Reino de Deus.”

“É necessário o espírito técnico: esforçar-se por ver a realidade tal qual é, ter um critério objetivo e desapaixonado, atuar enérgica e eficazmente… É necessário atuar com premeditação e cálculo, buscando inteligentemente o melhor caminho para o êxito, mas o homem que quisesse fazer tudo com cálculo deixaria de ser humano. Também tem que ter generosidade sem cálculo, atuando gratuitamente, sem esperar resultados: nem êxito nem gratidão. O mandato bíblico de “crescei, multiplicai-vos e dominai a terra” está no plural. E dizer que os homens têm que estar unidos, atuar juntos, para poder exercer o domínio sobre a criação. As riquezas não poderiam ser nunca suficientemente multiplicadas sem que os homens se coloquem de acordo e atuem solidariamente…”

“Apesar de ser verdade que Cristo nos envia para redimir o mundo e fazer esta terra mais habitável pelo homem, deter-se aí é falseá-lo todo, é esquecer-se do principal. Há de ver claramente e ter o valor de dizer que o fim último de nossa ação não é dar Deus ao homem para que este seja mais feliz, mas o homem a Deus para que Ele seja amado: não amamos a Deus por amor do homem, mas ao homem por amor a Deus. O progresso material deste mundo, corrompido pelo pecado, tende a degenerar em materialismo, o conforto em egoísmo e a riqueza esquecida dos que não a repartem. Deus, que nos fala também por meio da natureza, faz-nos notar o perigo de todo excesso. O êxito terreno não favorece a santidade a menos que os homens respondam à Graça… Como diz o provérbio: no dom está a tentação: um homem apto para mandar tem mais tentação de exercer o poder do que aquele que carece dessa aptidão. Outro perigo é que quanto mais a sério levamos o mundo – e temos que fazê-lo – mais nos arriscamos a ficar fascinados por ele. Podemos tomar tanto gosto pelas coisas da cidade terrena que nos esquecemos de quanto essa cidade deve reproduzir para onde ela nos conduz: até o Reino de Deus. É uma velha verdade que a Humanidade sem Divindade se degrada até a bestialidade.”

“Os valores humanos não podem ser alcançados plenamente sem a Graça, pois esta não somente ajuda a preservar das tentações que podem desviar do verdadeiro fim, mas que torna possível – por assim dizer – o rendimento total da natureza. Atuamos de acordo com o que somos. Se estamos em estado de graça, somos no mundo um elemento de harmonia e reproduzimos nele, mesmo sem querer, alguma parte da Imagem de Deus em nós. Por isso é tão necessário o dever de apostolado, de evangelização, de contribuir a fazer participar a outros da vida da Graça, pois o homem sem ela é capaz de fazer certo bem, e em consequência de contribuir em alguma medida a melhorar as instituições, mas não pode, sem a ajuda da Graça, realizar todo o bem humano que lhe seria possível. É totalmente absurda e herética a opinião de que a natureza pode produzir Graça, como da mesma forma são absurdas as extremistas opiniões opostas que, consciente ou inconscientemente, constituem a fonte na qual se alimentam as obras de alguns autores. Uma delas é a muito pessimista de que a natureza e o mundo passarão, e que, portanto, é inútil esperar que possam servir para algo duradouro.”

Esta opinião deve deixar-se de lado, pois se fosse assim e nada influenciasse sobre o mundo, a Igreja não se preocuparia, como sempre tem feito, por melhorar as condições de vida dos seres humanos, e Santo Tomás de Aquino não havia expressado que faz falta um mínimo de bem estar para a prática da virtude. A segunda opinião extrema é a exageradamente otimista – mais na moda hoje em dia que a anterior -, a qual sustenta que a civilização com o tempo vai desenvolver-se tanto e tão perfeitamente que, longe da Parusia, se converterá no Reino de Deus. Se assim pudesse ocorrer resultaria que o desenvolvimento da civilização apressaria a vinda de Cristo. Esta segunda opinião não dá suficiente importância nem à triste realidade do pecado, nem àquela passagem da segunda epístola de São Pedro que afirma ser a caridade a aceleradora da vinda de Cristo. Mas, sem dúvida, há certa vinculação entre a civilização e a religião, entre a natureza e a Graça, ainda que seja difícil determinar essa vinculação com exatidão. Dentro da mais pura ortodoxia há oito ou nove opiniões ligeiramente diferentes a respeito, sustentadas por outros tantos teólogos de prestígio. Delas, a que mais me satisfaz é a que sustenta que a civilização condiciona e dispõe para a vida sobrenatural, não a produz mas a condiciona, já seja a favor ou contra.

São João Crisóstomo diz: Deus não nos ensinou a pedir: Faça-se tua vontade em mim, ou em nós, mas na terra. É aí onde devemos ensinar a Verdade e pregar a Virtude para que a Terra floresça e venha a assemelhar-se ao Céu. Temos que estar nos problemas temporais, mas não fiquemos prisioneiros de tais problemas. A grande tarefa da hora presente é a animação espiritual de ordem temporal, a reintegração de todos os valores profanos em uma concepção total da vida e do mundo segundo Cristo. O afã da promoção humana do operário impedirá que não nos instalemos no atual regime-econômico-social, e nos fará procurar, na medida de nossas possibilidades, promover as necessárias reformas de estrutura e de clima de relações humanas para alcançar uma promoção dos trabalhadores à ordem de dignidade que corresponde ao trabalho, à pessoa humana e à sua família.

Cada vez que a consciência nos leva a executar algo (por exemplo, a extremar as medidas antes de despedir ou suspender pessoas por causas suficientemente fundadas), ou nos impede utilizar procedimentos que a competência utiliza (como ser oferecimento de subornos para obter um benefício exclusivo), ou, o que é mais doloroso, que sócios ou colegas pressionam que utilizemos; em outras palavras, cada vez que por cumprir nosso dever de estado encontramos incompreensão, a bem aventurança que diz: Bem aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça porque deles é o Reino dos Céus, nos anima, não somente a cumprir com nosso dever, mas também a fazê-lo com alegria. As atitudes que nos inspiram o Sermão da Montanha são eminentemente positivas, e é evidente que nada tem a ver com essa resignação passiva com que frequentemente a confunde, nem com esse ressentimento que por desgraça mancha e amarga a muitas pessoas possuidoras, por outro lado, de uma vontade e zelo firmíssimos.

Pacíficos são os que têm paz no coração e a irradiam ao redor deles. É lógico que sejam chamados filhos de Deus na sétima bem aventurança do Sermão da Montanha, porque precisamente foi o Filho de Deus quem se encarnou para fazer a paz entre o Céu e a Terra. Há muitas pessoas que desejam ardentemente uma nova ordem social, e pelo menos estamos de acordo com elas no que criticam da ordem atual, mas no que reside seu grande erro é que querem impô-lo pela violência. Duvidam que a paz é o azeite da ordem social. Podemos, nós os dirigentes de empresa que procuramos atuar cristãmente, compartilhar uma atitude de desorientação, frustração e ainda de ressentimento que hoje geralmente se encontra no ambiente empresarial de nosso país? Tudo o que é justo, tudo quanto seja verdadeiro, tudo o que seja bom, conseguirá sua conclusão nos Novos Céus e na Nova Terra preditas por Isaías (65,17), de que fala São Pedro (2 Pedro 3,13) e que nos revela o Apocalipse (21,1).

A Igreja, quando contempla os Santos no Além, ainda que antes da Ressurreição, os apresenta como sentados na Glória, mas não inacessíveis: eles prosseguem no Céu a mesma função que desempenharam na Terra. Podemos admitir que os privilégios do Além não fazem mais que levar a sua plenitude, a sua mais alta potência, o que está latente em cada um. O homem eterno que algum dia seremos e que está em gérmen em nós, não abolirá o homem temporal: ao contrário o ativará ao remover-lhe toda limitação. Pela Eucaristia Cristo nos diviniza, nos eleva até Ele e nos assemelha, procurando que não sejamos nós os que vivamos, mas Ele que viva em nós, tornando-nos outros Cristos. Assim, também, o dirigente de empresa deve exercer nos que o rodeiam uma ação elevadora e promotora; e tentando fazer deles outros tantos empresários, deve constituir-se em um agente multiplicador. A influência da Eucaristia na sociedade humana não é direta ou automática: faz-se sentir através dos homens e mulheres que constituem na sociedade.

A ação do cristão deve parecer-se, o quanto seja possível, à de Jesus na Eucaristia ao provocar em nós uma dupla atitude profundamente comunitária: responsabilidade perante Deus, e serviço aos homens, sentindo-nos responsáveis da aplicação concreta do Amor de Deus para que a gente perceba o amor que Deus tem por nós. A Sagrada Eucaristia é uma potência transformadora que atua desde há dois mil anos. Jesus não se contentou em fazer-se um de nós: quis fazer de cada um de nós algo de Si! Sem a Eucaristia tampouco poderá ser realizado durante muito tempo um verdadeiro bem, mesmo em uma esfera de ação limitada, pois nossa natureza caída tem necessidade de ser continuamente endereçada. O colocar o homem em comunicação com Deus, é uma maneira indireta, mas sem par, não somente de conduzi-lo a ser melhor homem, mas também de que a morada terrestre se volte menos inospitaleira, pois o dom da vida divina não somente libera do mal mas também aperfeiçoa a natureza.

A verdadeira religião e o profundo interesse por todo ser humano não são rivais: são irmãos. E não tem nada que temer um do outro, mas tudo por ganhar. A Eucaristia, que constitui a presença sacramental permanente entre nós do Verbo Encarnado, com seu silencioso apelo a um maior personalismo e a uma maior solidariedade, é não somente o motor mas a direção, o volante de uma autêntica vida empresarial. Na Eucaristia se superam as barreiras artificiais, individuais e coletivas que nos separam com frequência, inconsciente ou involuntariamente, dos demais participantes dessa comunidade de atividades, de interesses que deve ser uma empresa. A Eucaristia é, portanto, o grande meio para o sucesso efetivo dessa aspiração de sentir-se e ser verdadeiramente humanos, pois une entre si aos homens com o Homem-Deus. A parábola dos talentos é bem expressiva: não se é bom cristão se não se é por sua vez um bom cidadão, e, segundo corresponda, bom trabalhador, proprietário, engenheiro, etc. Graças a Deus em nosso país este conceito é cada vez melhor compreendido, cada dia há menos beatos no mal sentido da palavra, vale dizer, que frequentam os sacramentos mas que somente vivem para si, para salvar sua alma, desinteressando-se do que ocorre a seu redor a não ser para efetuar uma crítica.

Diz o Eclesiastes: Em todas as tuas obras sê preeminente (33,23). E nisto se encontra a perfeição cristã: em fazer excelentemente todas as obras por ele realizadas. O Senhor nos pedirá conta, não de ter feito obras excelentes, mas de realizá-las excelentemente. Mais vale amar a Deus que conhecê-lo, embora, é claro que não se pode amar o que não se conhece. Deus nos julgará pelo quanto temos amado, não pelo que temos lido ou escrito sobre Ele. Humildade e confiança no Senhor são duas virtudes fundamentais e intimamente unidas uma à outra. Não é possível possuir uma sem a outra. A humildade é a visão precisa de nossa situação moral, ao reconhecer quais são nossos pontos fracos e quais nossas culpas, ao mesmo tempo que a ajuda que nos proporciona o Senhor, para ter, com seus abundantes dons, essas duas virtudes. Deus tem dado em todos os tempos à Sua Igreja os meios apropriados para combater os perigos especiais de cada época.

Entre os meios que sempre a Igreja põe à nosso alcance para seguir em frente na vida espiritual, destacam-se a devoção ao Espírito Santo, o recurso filial e constante ao Sagrado Coração de Jesus, à Bem-aventurada Virgem Maria, e a piedade sincera para com os Anjos e Santos. No folheto intitulado: A Empresa: sua natureza, seus objetivos e seu desenvolvimentos econômicos, que temos nos referido, Enrique Shaw acrescentou: 

“Um dos problemas clássicos em matéria de relações humanas, é o progressivo afastamento quer seja pela magnitude da empresa, quer seja pela complexidade das funções e responsabilidades que aquela desempenha, o bem porque não se tem dado o devido valor à necessidade do contato pessoal. Entre as técnicas mais desenvolvidas para a eficiente direção da equipe se encontra a que se refere aos sistemas e meios de comunicação dentro da empresa. Para isso se utilizam diversos meios, orais ou escritos, entre as que se podem mencionar: entrevistas, comissões ou grupos de consultas, reuniões informativas, as linhas de autoridade já estabelecidas, avisos ou comunicados, cartazes, circulares, cartas, boletins e revistas internas, planos de entretenimento, etc. 

Outro meio habitual de comunicação consiste nas reuniões informativas, as que se convida geralmente aos chefes e supervisores, pois não deve esquecer-se que estes últimos são os “homens chave” e que por seu intermédio a Gerência se comunica e é representada diante dos trabalhadores e recebe por isso as informações desde os lugares de trabalho. Entre os requisitos que deveria cumprir-se para que uma atividade desta classe tenha êxito, podemos mencionar a necessidade de que o órgão interno tenha uma apresentação gráfica, formato e modelo da maior hierarquia, de acordo às possibilidades de cada empresa: não há que se esquecer que, no fim, constitui um meio de expressão da direção e como tal se a julga. Se o objetivo que se persegue é transmitir ideias à equipe, isto deveria fazer-se mediante um plano de artigos que foram apresentando essas ideias de forma indireta, através de uma redação adequada ao nível intelectual dos leitores, sem declínio de sua qualidade e correta redação”.

“A colaboração dos trabalhadores é um tema que não se encontra unicamente vinculado com o aspecto econômico, mas também que está vinculado com os distintos planos de atividade em que se desenvolve a vida da empresa”.

“Um de seus objetivos, de ordem social e humano, tende ao melhoramento das relações de trabalho ao reconhecer ao trabalhador outras funções além das que cumpre em seu trabalho específico, permitindo-lhe participar e expressar suas ideias em problemas que direta e indiretamente lhe afetam”.

“O direito natural exige que os interessados fixem em forma consensual os termos que  regulam suas relações no seio da empresa, sendo, portanto, faculdade dos interessados a de regular suas relações com um contrato de trabalho, com um contrato de sociedade ou com um contrato de trabalho modificado mais ou menos profundamente com elementos extraídos do contrato de sociedade”.

“Outra das técnicas mais amplamente difundidas e quiçá das mais inicialmente utilizadas pelos empresários, foi e é a dos serviços sociais para os trabalhadores”.

Com fundamentos diversos em quase todos os casos, mas respondendo às necessidades realmente comprovadas, os serviços sociais trataram de suavizar um tanto os complexos problemas que originaram a concentração urbana como consequência do crescimento industrial.

“Segundo o ensinamento dos Pontífices, os trabalhadores não possuem um direito natural à gestão das empresas”.

“No entanto, e sempre segundo o mesmo ensinamento, as pessoas podem considerar a gestão da empresa como um ideal, e possui o direito natural de esforçar-se por conseguir sua realização com todos os meios lícitos”.

“De uma orientação claramente paternalista se tem evoluído até o conceito de atividade social que é intrínseca à função que deve cumprir a empresa no mundo moderno”.

Reflexões extraídas dos Diários, Anotações e Conferências de Enrique Shaw – Traduzidas do livro Enrique Shaw y sus circunstancias

Tradução: Lucas Lastória da Conceição

Revisão: Rodrigo de Jesus Santana

Dicas do Venerável Enrique Shaw de como devemos agir

O Venerável Servo de Deus Enrique tornou-se um apóstolo da paz e da benevolência, sabendo que essas são “mensagens” do Amor de Deus através das quais recebemos todo o bem que desfrutamos e, por sua vez, o convite a ser “mensageiros” desse Amor. Ser um “instrumento da paz de Cristo” foi a “primeira preocupação” de Enrique.

Humanidade, compreensão, bondade, boas maneiras, não ferir nem humilhar, tratar bem os outros, com bondade, cordialidade, mansidão, serenidade, confiança, doçura, simpatia, sorriso, paciência, entusiasmo, amizade, compaixão, generosidade, compreensão, perdão e misericórdia. São as expressões de amor, que é desejar e fazer o bem ao outro, com boa vontade. É por isso que ele escolhe seguir esse caminho e não o caminho da raiva, da revolta, murmuração.

Devo agir com amor, procurando ser agradável, agindo com mansidão, calma, doçura, cordialidade, alegria, procurando refletir o amor que Deus tem por todos os homens.

Venerável Enrique Shaw

O DECÁLOGO DO EMPRESÁRIO, SEGUNDO O VENERÁVEL ENRIQUE SHAW

1.    Ser o promotor da empresa e traçar o seu rumo, cumprindo os seus objetivos, entre os quais se destaca a rentabilidade. Para isso, é preciso sermos promotores da inovação e estarmos atentos às necessidades dos consumidores

2.    Ser alegre, empreendedor, diligente, determinado, acessível, ter autocontrole e bom senso. Tomar decisões que não sejam baseadas exclusivamente em sua autoridade e poder: sempre agindo com humildade e com apertura às opiniões dos outros.

3.    Selecionar gerentes eficientes, evitando a contratação de parentes não qualificados. Da mesma forma, não negligenciar os gerentes intermediários e seu treinamento.

4.    Aumentar a produtividade, promovendo a utilização eficiente de todos os recursos à disposição da empresa. Para conseguir isso, é importante que você esteja atento à redução dos custos.

5.    Gerar nos seus colaboradores um sentimento de pertença à organização. Da mesma forma, tomar conhecimento de suas realidades e proporcionar-lhes condições adequadas de trabalho estimulando o desenvolvimento de suas potencialidades.

6.    Estimular a iniciativa e a criatividade dos funcionários, facilitando o desenvolvimento de suas potencialidades.

7.    Assimilar que a responsabilidade ética e social está acima da mera busca por alta lucratividade. Essa consideração se aplica a questões como bem-estar e emprego dos trabalhadores, comportamento desleal com concorrentes, propaganda enganosa ou busca de privilégios públicos.

8.    Entender que a incorporação da espiritualidade e dos valores cristãos melhorará seu desempenho. A confiança em Deus o deixará mais otimista e com menos medo de correr riscos em novos empreendimentos. A mansidão e a humildade cristã o deixarão mais calmo, menos irritado e com maior autocontrole.

9.    Compreender que sermos abertos e amarmos os outros permitirá que você entenda melhor o mau desempenho de sua equipe e, portanto, sermos mais tolerantes.

10.  Entender que devemos colaborar com Deus em sua Criação, gerando bens e bem-estar para a humanidade. Sua ação enobrece a natureza, transformando-a e tornando-a mais útil a todos os homens e mulheres.

*Elaborado pelos professores da Faculdade de Ciências Econômicas da UCA, com base nos escritos de Enrique Shaw.

Fonte: https://empresa.org.ar/2022/el-decalogo-empresario-segun-enrique-shaw/

Sobre o Empresário, Enrique Shaw escreveu em seu diário:

Sobre a função econômica do empresário:

Um homem sozinho, ou com o apoio de outros, toma a iniciativa de um negócio e assume, no todo ou em parte, o risco e a direção. Ele é o empresário no sentido econômico da palavra. Obtém a confiança dos capitalistas. Escolhe a equipe, estabelece o objetivo, determina os meios, garante a unidade, a rapidez das decisões, a discrição, o crédito e a autoridade necessária para o sucesso. Seu papel é difícil: conhecer, inspirar confiança, escolher e dirigir homens.

O empresário coloca em sua empresa: seu tempo, seu dinheiro, sua capacidade, sua honra. Ele é o agente de produção mais ativo, é o primeiro dos trabalhadores, pois sua missão é tornar a empresa capaz de cumprir seu amplo propósito econômico. Podemos concluir que, do ponto de vista econômico, nada é mais necessário para a prosperidade de um país do que deixar um grande campo livre à liberdade e às iniciativas de homens que tenham a coragem de assumir grandes responsabilidades pessoais e de ter empresários capazes, ativos e honestos.

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A reflexão do Venerável Enrique Shaw sobre o Matrimônio que gerou algumas críticas

Acesse nosso instagram e leia alguns dos comentários da postagem – https://www.instagram.com/p/Cim5YldAzE-/

A reflexão que colocamos para acompanhar a imagem foi: “Pense por um minuto: existe amor verdadeiro sem sacrifício, sem renuncia?”

Algumas pessoas não entenderam o que o Venerável Enrique Shaw quis dizer.

O casamento católico é uma total doação entre homem e mulher. Os dois tornam-se uma só carne. A renúncia de ambos a uma vida de solteiro é o primeiro passo. Tudo na vida é baseado em renuncia. Se fazemos uma escolha, rejeitamos a todas as outras…enfim.

O Venerável Enrique, ao dizer que um casamento é feliz quando um dos “cônjuges não pretende ser feliz, mas fazer o outro feliz”, não está dizendo que homem ou a mulher deve ter uma vida infeliz, de submissão. Pelo contrário, está explicando o sentido de total da entrega mútua. Fazer o outro feliz e sentir-se feliz por isso. Se o amor é mútuo, ambos irão fazer renúncias para fazer o outro feliz. Caridade é justamente isso: Amar livremente sem buscar nenhuma recompensa. Como é difícil…

Dom Fulton Sheen, tem um belíssimo livro em que explica perfeitamente o sentido do casamento: “Três Para Casar “.

“Como toda sentença implica sujeito, predicado e objeto, todo amor implica uma relação tríplice de um amante, um amado, e o amor unificante.” SHEEN, Fulton. TRÊS PARA CASAR

Um matrimônio cristão nunca é somente entre Homem e Mulher, Deus deve estar presente como vínculo perfeito de Amor. A Trindade do matrimônio (Deus, Homem e Mulher) é reflexo da Trindade do Pai, do Filho e do Espírito santo. A Sagrada Família era trina também: José, Maria e Jesus Cristo.

Os próprios pais de Jesus fizeram renuncias para que Deus pudesse se Encarnar:

“José renunciou à paternidade no sangue, mas encontrou-a no espírito, pois tornou-se pai putativo de Jesus. Maria renunciou à maternidade, e encontrou-a na sua própria virgindade.” (Dom Fulton Sheen)

Por fim, como o mesmo Dom Fulton Sheen que tinha pensamentos geniais nos diz:

O Cristianismo é a única religião que tem um caráter familiar, porque tem origem numa Mãe e num Filho.

Dom Fulton Sheen

Os valores da Virgem Maria

Foto reprodução

“Maria pode ser considerada o compêndio, a síntese viva do cristianismo, teve coragem, por isso estava aos pés da cruz.

Nossa Senhora nos ensina a nos despojar do desejo de receber afeto; foi isso que ele ofereceu no Calvário.

Os valores da Virgem são os de Cristo: Humildade, Verdade, Amor.

Maria é modelo de audácia (para enfrentar coisas dolorosas). Precisamos de pessoas que ousem fazer grandes coisas sem perder a humildade.

Maria é modelo de humildade, de disponibilidade: “Eis aqui a serva do Senhor”. Maria nos ensina a assumir nossa própria responsabilidade.

Maria é modelo de serviço e também de autoridade e domínio próprio, Maria é Mãe porque pensa em cada um.

Maria nos ensina a ser mais comunitários, porque ela é a Mãe de todos. Quando estamos com raiva, devemos pensar em Maria. Ela é minha Mãe e Mãe de todos nós, e espero que ela nos sugira a palavra cordial que devemos pronunciar.”

– Venerável Enrique Shaw

Propriedade privada – Enrique Shaw

Como fiel católico que era, Enrique Shaw pensava exatamente como ensina a Igreja Católico e sua doutrina a respeito da Propriedade privada. Hoje, como sempre, o erro no correto entendimento da Propriedade privada é raiz de muitos males e ideologias.

“A propriedade privada, bem como as outras formas de domínio privado dos bens, «assegura a cada qual um meio absolutamente necessário para a autonomia pessoal e familiar e deve ser considerada como uma prolongação da liberdade humana […], constitui uma certa condição das liberdades civis, porque estimula ao exercício da sua função e responsabilidade» [369] . A propriedade privada é elemento essencial de uma política econômica autenticamente social e democrática e é garantia de uma reta ordem social. A doutrina social requer que a propriedade dos bens seja eqüitativamente acessível a todos [370] , de modo que todos sejam, ao menos em certa medida, proprietários, e exclui o recurso a formas de «domínio comum e promíscuo» [371] .

177 A tradição cristã nunca reconheceu o direito à propriedade privada como absoluto e intocável: «pelo contrário, sempre o entendeu no contexto mais vasto do direito comum de todos a utilizarem os bens da criação inteira: o direito à propriedade privada está subordinado ao direito ao uso comum, subordinado à destinação universal dos bens» [372] . O princípio da destinação universal dos bens afirma seja o pleno e perene senhorio de Deus sobre toda a realidade, seja a exigência que os bens da criação sejam e permaneçam finalizados e destinados ao desenvolvimento de todo homem e de toda a humanidade [373] . Este princípio, porém, não se opõe ao direito de propriedade [374] , indica antes a necessidade de regulamentá-lo. A propriedade privada, com efeito, quaisquer que sejam as formas concretas dos regimes e das normas jurídicas que lhes digam respeito, é, na sua essência, somente um instrumento para o respeito do princípio da destinação universal dos bens, e portanto, em última análise, não um fim, mas um meio [375] .

178 O ensinamento social da Igreja exorta a reconhecer a função social de qualquer forma de posse privada [376] , com a clara referência às exigências imprescindíveis do bem comum [377] . O homem «que possui legitimamente as coisas materiais não as deve ter só como próprias dele, mas também como comuns, no sentido que elas possam ser úteis não somente a ele mas também aos outros» [378] A destinação universal dos bens comporta vínculos ao seu uso por parte dos legítimos proprietários. Cada pessoa, ao agir, não pode prescindir dos efeitos do uso dos próprios recursos, mas deve atuar de modo a perseguir, ademais da vantagem pessoal e familiar, igualmente o bem comum. Donde decorre o dever dos proprietários de não manter ociosos os bens possuídos e de os destinar à atividade produtiva, também confiando-os a quem tem desejo e capacidade de os levar a produzir.

179 A atual fase histórica, colocando à disposição da sociedade bens novos, de todo desconhecidos até a tempos recentes, impõe uma releitura do princípio da destinação universal dos bens da terra, tornando necessário estendê-lo de sorte que compreenda também os frutos do recente progresso econômico e tecnológico. A propriedade dos novos bens, fruto do conhecimento, da técnica e do saber, torna-se cada vez mais decisiva, pois «a riqueza das nações industrializadas funda-se muito mais sobre este tipo de propriedade, do que sobre a dos recursos naturais» [379] .

Os novos conhecimentos técnicos e científicos devem ser postos ao serviço das necessidades primarias do homem, para que possa acrescer gradualmente o patrimônio comum da humanidade. A plena atuação do princípio da destinação universal dos bens requer, portanto, ações no plano internacional e iniciativas programadas por parte de todos os países: «Torna-se necessário quebrar as barreiras e os monopólios que deixam tantos povos à margem do progresso, e garantir, a todos os indivíduos e nações, as condições basilares que lhes permitam participar no desenvolvimento» [380] .

180 Se no processo de desenvolvimento econômico e social, adquirem notável relevância formas de propriedade desconhecidas no passado, não se podem, todavia, esquecer as tradicionais. A propriedade individual não é a única forma legítima de posse. Reveste também particular importância a antiga forma de propriedade comunitária que, mesmo se presentes nos países economicamente avançados, caracteriza, de modo particular, a estrutura social de numerosos povos indígenasÉ uma forma de propriedade que incide com uma profundidade tal na vida econômica, cultural e política daqueles povos, que chega a constituir um elemento fundamental para a sua sobrevivência e bem-estar. A defesa e a valorização da propriedade comunitária não devem, todavia, excluir a consciência do fato de que também este tipo de propriedade é destinado a evoluir. Se se agisse de modo a garantir-lhe tão-somente a conservação, correr-se-ia o risco de atá-la ao passado e, deste modo, de comprometê-la [381] .

Permanece sempre crucial, sobretudo nos países em via de desenvolvimento ou que saíram de sistemas coletivistas ou de colonização, a distribuição eqüitativa da terra. Nas zonas rurais a possibilidade de aceder à terra mediante a oportunidade oferecida também pelos mercados do trabalho e do crédito é condição necessária para o acesso aos outros bens e serviços; além de constituir um caminho eficaz para a salvaguarda do ambiente, tal possibilidade representa um sistema de segurança social realizável também nos países que têm uma estrutura administrativa frágil [382] .

181 Da propriedade deriva para o sujeito possessor, quer seja um indivíduo, quer seja uma comunidade, uma série de objetivas vantagens: melhores condições de vida, segurança para o futuro, oportunidades de escolha mais amplas. Da propriedade, por outro lado, pode provir também uma série de promessas ilusórias e tentadoras. O homem ou a sociedade que chegam ao ponto de absolutizar o papel da propriedade, acabam por experimentar a mais radical escravidão. Nenhuma posse, com efeito, pode ser considerada indiferente pelo influxo que tem tanto sobre os indivíduos, quanto sobre as instituições: o possessor que incautamente idolatra os seus bens (Cf. Mt 6, 24; 19, 21-26; Lc 16, 13) acaba por ser, mais do que nunca, possuído e escravizado [383] . Somente reconhecendo a sua dependência em relação a Deus Criador e ordenando-os ao bem comum é possível conferir aos bens materiais a função de instrumentos úteis ao crescimento dos homens e dos povos.”

Leia o Compêndio de Doutrina Social da Igreja AQUI

Pensamentos do Venerável Enrique Shaw

Apostolado

“Fazer apostolado significa trabalhar com a mente e com todas nossas forças pelo próximo; sacrificar-se renunciando a tudo, humilhar-se; em sumo, orar, “romper-se”, preocupar-se e chorar pelas almas para conduzi-las a Cristo.
Fazer apostolado significa sobretudo, viver com Cristo, padecer, agonizar e morrer no mundo com Ele e por Ele.”

“Devemos ter bem presente o pecador que eu sou, o indigente e o necessitado de perdão e de ajuda divina, lutar contra o pecado, e para isso, a semelhança de Cristo, agir ainda em detalhes sob a dependência direta de Maria (cuja função é preparar-nos e libertar-nos de tudo aquilo que é oposto á ação de Deus.”

“No dia em que fiz 20 anos pedi a Deus que produzisse em mim os frutos que Ele desejava; que me tornasse ciente dos meus pecados e que me convertesse decidida e totalmente. Em resumo, minhas ideias religiosas se centraram em dois pontos: o primeiro, entender seriamente que sou um pecador; e o segundo, que eu deveria ir decididamente em direção a Deus. “

“Devemos ser socialmente cientes dos problemas, porque Jesus se ocultou nos pobres. Levar em conta a repercussão social de nossas ações, já que a Doutrina Social da Igreja é aplicada ou negada no dia a dia, às vezes sem ter a clara noção do que é feito.”

Casamento

“Casar-se é não mais pertencer a si mesmo.
Para o homem amar é preferir, e para a mulher amar é não comparar.
O amor autêntico recebe o ser humano não como um Deus, mas como um dom de Deus no qual Deus está contido.
Não se confunde com Deus, mas nunca se separa de Deus.
Como o amor dos esposos pode se secar, se eles foram criados e unidos para se dar a Deus uns aos outros? A vida partilhada entre dois floresce, torna-se infinita. É uma oração em comum.
O amor mútuo deve ser expresso. Não é suficiente toma-lo como certo. O crescimento do amor não é automático. É preciso recriá-lo.”