A justa demissão que Enrique Shaw fez

Crédito: feito com IA do bing.

“Ocorreu em uma ocasião que um colaborador se dispôs a limpar umas engrenagens e utilizou para isso um balde de querosene com um pincel curto. Como o chamaram da Gerência, deixou o balde e o pincel a um metro de distância de um maçarico que uma operária usava para marcar tubos de vidro.

A operária era uma mulher de uns quarenta e cinco anos de idade, de caráter amargo e ressentido, que detestava esse colega. Por isso, quando este deixou seus utensílios de limpeza da engrenagem onde ela estava trabalhando com um maçarico, denunciou-o à Polícia que, ao fazer tal coisa, a intenção do colega seria de assassiná-la mediante a explosão do maçarico.

Sua denúncia foi aceita, e a Comissão Gremial Interna Operária decidiu que o homem fosse encarcerado em uma cela da Comissão e processado por tentativa de homicídio. Da mesma forma, essa Comissão exigiu sua expulsão da Cristaleira. Sabendo disso, Enrique que conhecia bem o colaborador, que era excelente e incapaz de cometer tal delito, interveio imediatamente ante o Comissário de Polícia e o Juiz de Instrução, e conseguiu que o pusessem em liberdade e o dispensassem de seu injusto processo. Mas não se contentou com isso: Expulsou da fábrica a operária caluniadora.

A representação sindical se opôs a essa dispensa e teve várias entrevistas com Enrique a fim de ameaçá-lo se assim o fizesse. Mas ele, inflexivelmente, sabendo que trabalhava com justiça, manteve sua decisão e, por sua vez, ameaçou a representação sindical em fechar a Cristaleira por tempo indeterminado se insistissem que essa operária voltasse a ser admitida.

E sua firmeza em favor da justiça triunfou amplamente: o homem caluniado seguiu trabalhando na fábrica, e a operária caluniadora foi demitida.

Como nessa ocasião, em muitas outras demonstrou Enrique que sua maior preocupação não era proteger indiscriminadamente os operários, mas buscar que se procedesse com justiça nas relações laborais e tratava de que seu código de ética profissional fosse seguido tanto pelos superiores como pelos operários.”

Este caso está no livro Venerável Enrique Shaw e suas circunstâncias

Venerável Enrique Shaw em Harvard

Em setembro de 1957, Enrique Shaw viajou para Harvard para estudar o Curso de Advanced Management. Ele foi um dos primeiros argentinos a estudar na prestigiosa universidade.

Infelizmente, não pôde levar sua família, pois já tinha oito filhos na época. Ao se hospedar no quarto de aluno que dividia com um colega, Enrique colocou um porta-retrato com a foto de sua família. Seu colega ficou surpreso e admirado ao saber que Enrique tinha uma grande família.

Em Harvard, Enrique participou ativamente das aulas. Em uma carta escrita em 11 de setembro de 1957 para Cecilia, Enrique relatou: “Hoje começamos de verdade. Pelo que vejo diretamente, teremos um mínimo de três horas de aula, uma hora de conversa informal com os professores, três horas de estudo individual e duas horas de estudo coletivo em grupos de oito homens. A organização e o ambiente geral são esplêndidos.”

As aulas eram expositivas, em que o professor apresentava um caso a ser analisado. Diferentes abordagens e várias soluções possíveis eram discutidas.

No final, a sensação era de que se deveria estar aberto a todas as diversas possibilidades. No entanto, Enrique sentia falta de uma orientação doutrinária e acreditava que, devido à falta de princípios orientadores, os casos podiam ser interpretados de muitas maneiras diferentes, dependendo da pura flexibilidade e pragmatismo.

Enrique também sentia a ausência da dimensão ética e moral nas análises dos casos. Em seu diário, ele escreveu: “O objeto da vida econômica, o dinheiro, deve ocupar um lugar subordinado ao caráter e à virtude.”

#veneravelenriqueshaw
#havard
#advancemanagement
#enriqueshaw

O dia em que o Venerável Enrique veio ao Brasil em visita Oficial

O Venerável Enrique Shaw, ao completar 14 anos, pediu a seu pai para servir na Marinha da Argentina.

Em 25 outubro de 1935, Enrique entrou com a solicitação para ingressar na Escola Naval Militar. Foi aceito no dia 03 de janeiro de 1936.

Fonte: Arquivo da Família – Enrique Shaw

Essa decisão, que chocou seus familiares, foi motivada por seu caráter que buscava renunciar desde cedo aos pilares de dinheiro e conforto que sua situação familiar lhe propiciava. Ingressou disposto a fortalecer-se entre os rigores da vida militar, onde dará um extraordinário testemunho de fé. Nos Mares do Sul, ele realiza um trabalho apostólico dedicado. Shaw foi um dos melhores cadetes em sua turma e conseguiu fazer bons amigos. Ele foi recebido como Guarda-marinha e foi um dos melhores alunos de seu grupo.

Foi assim que nem o mal-entendido dos que lhe eram próximos e estranhos, nem os rigores da vida militar, nem o ridículo, podiam impedir este menino amante da Missa e da Comunhão de se tornar um oficial da marinha, que, com tenacidade, primeiro ganharia o respeito e depois a admiração de seus companheiros militares.

Em 21 de abril de 1939, Enrique veio ao Brasil no navio de “Guerra La Argentina”. O comandante Brunet e seus oficiais aportaram no Rio de Janeiro e foram recebidos oficialmente pela Marinha Brasileira. Entre o corpo geral da tripulação, lá estava Enrique Shaw.

ARA Rivadavia – Shaw serviu nesse navio.

Essa visita Oficial recebeu manchetes nos jornais Brasileiros, em destaque o Correio da Manhã e Jornal do Brasil (RJ) de (21/04/1939), e também saiu na Revista Marítima Brazileira em seu número 137 de 1939. Em todos há menção ao nome de Enrique.

Após a recepção oficial, os marinheiro argentinos foram para Petrópolis e almoçaram um churrasco.

Shaw pediu dispensa da Marinha em 1945. Era tão bem quisto que SETE almirantes pediram pessoalmente para ele não sair, pois estava trilhando uma carreira brilhante.

Foi uma grata surpresa descobrir essa notícia da visita do Venerável Enrique Shaw pelo Brasil. Ele esteve posteriormente aqui, mas essa visita como marinheiro foi algo muito interessante pois não encontrei em suas biografias que já li.

Enrique Shaw – Um Santo empresário?

Não é todo dia que se ouve falar de um empresário que se preocupava com o reino dos Céus. Enrique Shaw foi um desses raros homens e serve como exemplo a essa sociedade virtual de empreendedores digitais.

Um Santo empresário?

Sim!

Enrique Shaw

Não é todo dia que se ouve falar de um empresário que se preocupava com o reino dos Céus. Enrique Shaw foi um desses raros homens e serve como exemplo a essa sociedade virtual de empreendedores digitais.

Nasceu na França, em 1921, mas viveu na Argentina. O Papa Francisco tem convicção de que Shaw será santo, pois foi um homem caridoso. Na juventude, depois de ler muito sobre Economia e Política, se encantou com a Doutrina Social da Igreja. O mundo depois da II Guerra Mundial prejudicou muitas pessoas, e ele queria ajudar.

Fundou iniciativas sociais, como a Associação Cristã de Dirigentes de Empresas, o Movimento da Família Cristã e a Ação Católica Argentina. Aos seus funcionários, criou um fundo de pensão e um plano de saúde, mas se preocupava ainda mais com a espiritualidade deles, dando-lhes terço e bíblia para que criassem uma vida piedosa.

Se o mundo polarizado questionar a ideologia de Shaw ficará surpreso pela falta de registros sobre isso. Ele era um católico. E era feliz praticando o catolicismo. Foi preso pelo governo do presidente Juan Peron por sua prática religiosa, e ainda na prisão ele dava os colchões e comida, trazidos pelos parentes, aos outros detentos.

Teve nove filhos com Cecilia Bunge, e educou todos na fé. Apesar de ser um empresário extremamente ocupado, era um pai carinhoso e presente. Sua filha Sara Shaw disse que era uma festa quando ele voltava pra casa, sempre assobiando, com seus filhos pulando em cima dele. Ele nunca descarregou os estresses diários nas crianças. E como era difícil ser santo no mundo dos negócios!

Em 1961, enquanto sofria de câncer, sua indústria foi vendida a um fundo americano que decidiu demitir 1.200 pessoas. Ele se opôs fortemente e propôs um plano para manter todos os funcionários. Shaw jamais imaginaria que essa sua luta fosse recíproca. Internado, viu os seus trabalhadores formarem uma fila gigante no hospital para doar sangue, já que ele precisava de uma transfusão.

Morreu Shaw em 1962, sua causa de beatificação foi aberta e agora precisamos orar para que esse homem que serviu tanto a Igreja em vida possa interceder pelos empresários no Céu.

Quem foi Enrique Shaw?

Quem foi Enrique Shaw (1921-1962)?

Foi um grande empresário e generoso católico que caminha para o altar dos Santos, por ter mostrado que a Doutrina Católica funciona na prática.

Quem foi Enrique Ernesto Shaw (1921-1962)?

Foto – Enrique Shaw

Foi um grande empresário e generoso católico que caminha para o altar dos Santos, por ter mostrado que a Doutrina Católica funciona na prática. Ele nasceu em 1921, na França, mas um ano depois passou a viver na Argentina, num lar devoto, e a frequentar escolas católicas. Desde pequeno, era um leitor voraz. Estudou Política e Economia entre outros temas, mas não adquiriu uma visão ideológica de mundo.

Eis que, com 16 anos, ele teve contato com a Doutrina Social da Igreja e se apaixonou tanto a ponto de dizer que esse é o marco de sua conversão. A partir daí, Shaw tentou antecipar na terra aquilo que acreditamos ser eterno: os frutos do Reino. Casou-se com Cecilia Bunge e criou um lar com nove filhos, educou-os na piedade, em oração de rosários e missas diárias. Não bastasse ser um bom pai, ele fundou diversas iniciativas que ajudaram pessoas prejudicadas pela II Guerra Mundial, como o Movimento da Família Cristã. Por sua caridade inflamada e a prática do que ensina a Doutrina Social, chegou a ser perseguido pelo governo anticatólico do presidente Juan Peron, foi preso e, mesmo na prisão, praticava a caridade ao fornecer aos detentos colchões e comida trazidos por seus parentes.

Como empresário, fundou a Associação Cristã de Executivos de Negócios. Ele tratava seus funcionários, de fato, como colaboradores – e colabora para a vida espiritual deles, dando-lhes bíblia e terço, tudo para aproximá-los de Deus, e sempre se preocupava com suas famílias. O lucro pelo lucro, a máxima do capitalismo moderno, não era praticado por Shaw, que sabia partilhar. O Papa Francisco, que tem certeza que Shaw será santo, chamou-o de “grande empresário e grande homem da Igreja”.

Ao fim de sua vida, 1962, com câncer, Shaw se surpreendeu quando, precisando receber uma transfusão, viu seus funcionários formarem uma fila gigante no hospital para doar sangue. Ele disse, antes de morrer, estar satisfeito que o sangue de seus trabalhadores passasse por suas veias. Talvez um camelo tenha passado pela agulha, pois esse homem rico entrou no reino dos Céus e agora corre o processo de beatificação… que precisa de nossas orações. 

Leia mais: Um Santo Empresário?